Tendo em vista o anúncio de recompra das dívidas feito pela Petrobras, gostaríamos de compartilhar com vocês uma análise sobre esse acontecimento seguido do nosso ponto de vista frente os impactos dessa medida no que diz respeito aos investimentos.
Esta semana, a Petrobras anunciou uma oferta de recompra das dívidas (comunicado).

Desde o início do ano os títulos tiveram uma queda de aproximadamente 10%, baixado de preço de 129 para 115. A rentabilidade teve uma queda de aproximadamente 1%, saindo de 5% ano para 6%.
Há duas razões para a queda:
- A primeira se deve ao fato do aumento da taxa de juros de longo prazo nos EUA (Gráfico 1). Apesar do FED ter reiterado diversas vezes que não pretende subir o juros enquanto a economia não alcançar o pleno emprego e que deixaria a inflação correr um pouco, o mercado tem precificado que o aumento dos juros possa vir antes do esperado, uma vez que a inflação deva aparecer no curto prazo por consequência dos pacotes econômicos adotado pelo governo dos EUA para resgatar a economia da crise do COVID-19.
Gráfico 1 -US 10 Year Treasury

- O segundo fator se deve ao aumento do risco do título. O mercado não vê com bons olhos uma interferência do governo na administração da empresa, uma vez que ela poderia ser usada novamente para interesses políticos. Da mesma forma, pelo aumento do risco pais. A dívida PIB segue crescendo e pouco se vê em corte de gastos ou uma melhora das contas públicas.
Adicionalmente, em relação ao juros de longo prazo dos EUA, no curto prazo ele deve bater 2% ano ano, o que geraria mais uma queda dos títulos, agora de menor impacto. Mas, muitos economistas argumentam que seu ponto de equilíbrio está entre 1,5% e 1,8%. Assim, grande parte da desvalorização já passou. Outro argumento que ainda justifica ter juros de longo prazo na carteira se deve ao fato que, desde 1990, os juros de longo prazo veem caindo. Ou seja, enquanto que nos anos 2000 um investido conseguia compra dívidas pagando 4% ano, agora, ela está 2% a.a. Caso essa tendência de queda continue, poderemos ver em um futuro breve esse mesmos juros com taxas entre 0,5% a 1%.

Quando ao risco Brasil e risco empresa, ele deve se deteriorar no curto prazo. Em 2022 será ano de eleição, o que por si só se traduz em um aumento de volatilidade, ainda mais em um cenário de dois candidatos com postura populistas. Porém, o risco de calote da Petrobras ainda é muito pequeno, ela detém quase que monopólio o mercado de petróleo no Brasil. Da mesma forma, vale salientar que o Brasil também tem evoluído com alguns políticas pró mercado, como por exemplo a lei do teto de gastos e independência do Banco Central.

Conclusão
Ter um investimento que vai render 6%a.a até 2044 ainda é um bom negócio. Acreditamos que vai ter volatilidade no curto e médio prazo, gerando algumas oportunidades de compra. Para aqueles que possuem grande exposição a dívida da Petrobras, faz sentido aceitar a recompra da empresa uma vez que ela vem acrescido de um pequeno spread. Quem possui uma pequena parte e se sente confortável com a Petrobras, não faz sentido aceita a proposta. Está cada vez mais difícil encontrar empresas sólidas com rendimento de 6%a.a. Apesar de acreditarmos que em 2022 esses mesmos títulos poderão ser comprados a taxa melhores, o custo de ficar parado é 6%a.a. e também não temos certeza se eles caíram.

